Ciclo de Leitura abre Primavera Cultural na Casa de Cultura em Buerarerema





Ciclo de Leitura abre Primavera Cultural
na Casa de Cultura em Buerarerema

 

                A fim de marcar o dia Nacional da Cultura (5/11), a Casa de Cultura Jonas&Pilar (Buerarema) apresentará a leitura dramática da comédia As Feministas de Muzenza, das dramaturgas Cleise Mendes e Haydil Linhares (falecida em 2010), um dos maiores sucessos do teatro da Bahia. A apresentação será às 20 horas e marcará a abertura do I Ciclo de Leitura Dramática de Buerarema. A leitura terá no elenco os integrantes do grupo A Tribo, com direção de Gideon Rosa. Em dezembro, será apresentado o segundo texto do Ciclo, O Santo e a Porca, de Ariano Suassuna. Este será o primeiro evento da Primavera Cultural da Casa de Cultura Jonas&Pilar, cuja programação se estenderá até 20 de dezembro.

A PEÇA
                A história do texto se passa na cidade de Muzenza (qualquer coincidência com Buerarema, será, realmente, mera coincidência porque o texto foi escrito em 1985 e será lido como foi originalmente escrito), onde um grupo de mulheres se une para fazer um movimento feminista e se confronta com outro grupo que não deseja um embate com os homens. As anti-feministas supoem que as feministas querem viver sem homem e resistem bravamente. Enquanto isso, outro grupo de mulheres alienadas só se preocupa com o crescimento turístico da cidade e, para isso, querem reinventar os valores da cultura tradicional a fim de atrair turistas. Toda essa confusão tem no centro a Igreja com a presença do padre Alípio e seu sacristão Francelino, que não é afeito a movimentações feministas, muito menos no salão paroquial. Uma comédia política e inteligente.

CLEISE MENDES
               
Cleise Mendes escreveu As Feministas de Muzenza em 1985, mas estreou como dramaturga em 1975, com o musical Marylin Miranda, dirigido por José Possi Neto. Sua produção, a partir daí, situa-se na fronteira entre a literatura e o teatro, em um trabalho ininterrupto de criação e adaptação de textos para teatro, com dezenas de peças já encenadas. Parte dessa dramaturgia encontra-se publicada, como: Lábaro Estrelado, Bocas do Inferno, O Bom Cabrito Berra, Castro Alves, Marmelada: Uma Comédia Caseira, Noivas (SECULT, 2003). Recebeu o Troféu Martim Gonçalves de Melhor Texto por A Terceira Margem (1981), o Troféu Bahia Aplaude de Melhor Autor pela peça Castro Alves (1994) e o Prêmio Braskem de Teatro, de Melhor Autor, por Joana d’Arc (2010). Publicou contos e poemas esparsos em jornais e coletâneas de jovens autores (Novíssimos contistas da Bahia, 1974), até o primeiro livro “solo” de poemas: Ágora – Praça do tempo (Salvador: FCEBA, 1979), e, mais recentemente, O Cruel Aprendiz (Salvador: EPP, 2009). Foi premiada como contista pela Revista Ficção (Rio de Janeiro, 1976) e publicou contos reunidos em A Terceira Manhã (Rio de Janeiro: Imago, 2003). Em 2011 publicou seu primeiro livro para crianças: Gabriel e o Anjo da Bagunça (Salvador: Edições Caramurê). Como teórica e ensaísta, publicou A gargalhada de Ulisses: a catarse na comédia (São Paulo: Perspectiva, 2008 – Indicado ao Prêmio Jabuti na categoria Teoria e crítica literária), As Estratégias do Drama (Salvador: EDUFBA, 1995) e Senhora Dona Bahia – Poesia Satírica de Gregório de Matos (Salvador: EDUFBA, 1996), além de inúmeros artigos em periódicos sobre teatro e literatura. Em 2008, criou o grupo de pesquisa Dramatis – Dramaturgia: mídias, teoria, crítica e criação, formado por pesquisadores de várias áreas, cuja produção organizou no livro Dramaturgia, ainda: reconfigurações e rasuras (Salvador: EDUFBA, 2011). É doutora em Letras, professora da Escola de Teatro da UFBA, pesquisadora do CNPQ e membro da Academia de Letras da Bahia.
                “A leitura dramática é um gênero, é uma forma de publicação de textos, um meio de difusão de textos literários importantíssimo. No caso do teatro, este recurso é muito barato, pois prescinde de cenários e figurinos etc, ele permite que o grande publico conheça novos autores, e mesmo autores já consagrados, e, enfim, conhecer textos que em outras circunstâncias jamais poderiam ser encenados”, explica o coordenador do ciclo, Gideon Rosa.

HAYDIL LINHARES 

                Haydil Linhares, atriz formada pela Escola de Teatro da Universidade da Bahia (hoje UFBA) em Interpretação e Direção (1979). Atravessou quatro décadas, interpretando, com alegria, personagens expressivos, em sua maioria marcados pela comicidade e com um forte vínculo com a cultura popular.
                No teatro, trabalhou com grandes diretores, entre eles Deolindo Checcucci ("O Futuro está nos ovos"), Martim Gonçalves ("Véspera de reis"), Edwald Hackler ("A Mulher sem Pecado") e João Augusto. Esse último foi quem dirigiu a sua estreia nos palcos, com o espetáculo "Stopen Stopen" (1962), que foi montado pela Companhia Teatro dos Novos, grupo que fundou o Teatro Vila Velha, em 1964.
                Em 2003, O Bando de Teatro Olodum reencenou o espetáculo "Cordel 2", de João Augusto, com o nome de "Oxente, Cordel de Novo?", com direção de Márcio Meirelles. Um espetáculo que contou com um texto de Haydil, "A Função do casamento", no qual a própria dramaturga atuou como atriz.
                Em homenagem aos seus 40 anos de carreira, em 2008, foi montado seu texto, "O Pique dos Índios ou a Espingarda de Caramuru", pela A Outra Companhia de Teatro, onde também participou como atriz. Foi o último espetáculo em que Haydil Linhares atuou.
                No cinema, Haydil também teve experiências importantes: sob a direção de Bruno Barreto, em 1976, interpretou Norminha (a segunda protagonista, melhor amiga de Dona Flor), em "Dona Flor e Seus Dois Maridos". Participou ainda de "Meteorango Kid, Herói Intergaláctico" (1969), "Mr. Abrakadabra!" (1996), "Náufrago" (2010), "Jardim das Folhas Sagradas" (2010), além de outros.
                Na TV, atuou nas novelas "Renascer" (1993), de Benedito Rui Barbosa, e "Porto dos Milagres" (2001), Aguinaldo Silva e Ricardo Linhares, ambas da Rede Globo de Televisão.
                Como dramaturga, escreveu, as peças "A Função do Casamento" (1972),"Ida e Volta" (1973), "O Pique dos Índios ou a Espingarda de Caramuru" (1974) e "As Feministas de Muzenza" (1985), comédia escrita em parceria com Cleise Mendes.Ela morreu aos 75 anos, no dia 03 de outubro de 2010.
               
FICHA TÉCNICA

Texto: As Feministas de Muzenza
Autor: Cleise Mendes e Haydil Linhares
Direção: Gideon Rosa
Elenco: (Grupo A Tribo, coordenação de Anderson Andhy) Cristiano Nunes, Cleide Jardim, George Mendes, Diego Gonzaga, Laise Oliveira, Leomar Vieira, Gilda Lins (convidada), Valdeci  Aranha(convidada) e Gideon Rosa (rubricas).
Onde: Auditório da Casa de Cultura Jonas&Pilar – Buerarema - Centro
Ingresso: Entrada franca
Data/Horário: Terça-feira, 5, Dia Nacional da Cultura, às 20 horas


Informações adicionais: Anderson Andhy (88053673) Gideon Rosa (88098770)