Uma Primavera Cultural...

Uma Primavera Cultural

Casa da Cultura Jonas&Pilar - Sede do Instituto Macuco Jequitibá
Com menos de dois anos de funcionamento, o Instituto Macuco-Jequitibá através da Casa Jonas&Pilar tem conseguido com pequenas ações melhorar a combalida autoestima da população de Buerarema. Nossa Primavera Cultural foi um sucesso. Um sucesso porque fizemos tudo modestamente em cooperação uns com os outros.
Foi um pequeno segmento da comunidade que desejou realizar algo para melhorar nossa autoestima: os artistas e a família de Marcelo Ganem que deu a casa e custeou sua manutenção. Os artistas "compraram" a briga e venceram o primeiro round. A tendência é que a crista se levante novamente. E essa vitória será por nocaute.
A sede (Casa de Cultura Jonas&Pilar) no centro de da cidade ainda não foi inaugurada, mas funciona provisoriamente com atividades artísticas, cursos, oficinas, aulas e ensaios. Enquanto se espera que o projeto de reestruturação do velho casarão seja elaborado por algum generoso engenheiro ou arquiteto  (Buerarema possui muitos), o Instituto Macuco-Jequitibá tem proposto uma linha de ação que deixará marcas na mentalidade dos Bueraremenses. Conceitualmente rechaçamos a política de inócuos eventos para investir em ações estruturantes capazes de ajudar a ampliar o horizonte de população que ainda vive atônita, isto é, sem uma alternativa segura para a crise que se abateu logo após o advento da vassoura-de-bruxa. Importante é o que fica, o que deixa sementes, o que permite que as sementes germinem e se transformem numa floresta até a  gente ter que, novamente, pedir licença pra andar dentro dela.
Curso Sebrae
Em 2013, em curto período, já abrigamos uma oficina para melhorar alguns aspectos da gestão, ministrada pelo Sebrae.
Outra oficina para incrementar a formação de artistas de teatro, cujo resultado foi visto com a leitura do texto As Feministas de Muzenza, de Haydil Linhares e Cleise Mendes. Ajudou a reativar o grupo de teatro A Tribo e abriu as portas da instituição para que ele se transformasse em grupo residente, assim como o Black Dance. 
Apresentação da Leitura Dramática "As Feministas de Muzenza"
 Os artistas necessitam de exercício continuado sem cobranças de resultados. Para atingir o objetivo de apresentar resultado é preciso que eles possuam um território onde possam ensaiar, se reunir, exercitar a  possibilidade criativa.
Oficinas de Teatro - Instrutor voluntário Gideon Rosa
E, rapidamente, o grupo a Tribo remontou o espetáculo Retalhos que, novamente, foi um grande sucesso de público. Generosamente, a renda do espetáculo foi revertida em benefício da compra de cadeiras para  o próprio teatrinho da casa. 
 
 Peça Retalhos - Grupo A Tribo
Por fim, novamente na linha do estruturante, o Instituto Macuco-Jequitibá propôs a Secretaria de Educação do Município - e a SEC aceitou imediatamente - a realização de uma  oficina para formação de contadores de histórias com um professor especialista oriundo das hostes da Faculdade de Educação da UFBA. 
Oficina de Multiplicadores de Leitura com professores
O grande objetivo é contribuir para deixar pelo menos 10 contadores de histórias dentro da rede pública municipal de ensino e, finalmente, a leitura ganhar o status de instrumento pedagógico para contribuir para que os estudantes despertem a demanda pelos livros e construam novos mundos dando asas à imaginação.
Enfim, o Instituto Macuco-Jequitibá em 2013 conseguiu produzir uma série de notícias positivas para Buerarema. A rigor, foi o Instituto Macuco-Jequitibá que produziu nos jornais regionais as únicas manchetes positivas do anos de 2013. Esse fato parece modesto, mas todos devem comemorar. O que a história neste momento está registrando é um renascimento da antiga positiva autoestima que havia em Buerarema.
E era essa autoestima que produzia atividades extraordinárias como a Filarmônica de "seo"Praxedes, a excelência musical de mestre Alcides, a nossa expertise em produzir carros alegóricos ambicionados por outras cidades regionais. E quando chegava a época do Natal a cidade se enchia de presépios de elaboração esmerada que mereciam visitação de quase toda população. Nada disso deve voltar pois pertence ao passado.
Os tempos são outros. A lembrança vem para que haja o espírito da mudança.
Na primeira semana de dezembro, o teatrinho da Casa Jonas&Pilar com o apoio o grupo A Tribo (que emprestou seus refletores e parte do cenário) trouxe José Delmo com o espetáculo O Contador de Histórias. E, novamente, o público prestigiou. Que cidade é essa que tem sede de arte e ninguém matava a sede dela? 

O Contador de Histórias de Jose Delmo
Começamos, como fizemos em meados dos anos 70 (eu, Gilda Lins, Maria Helena Cardoso, Marcelo Ganem, Carlos Albérico, Jidebaldo Souza, Ramon Vane, Marialda Silveira, Valdeci Aranha e tantos outros cujos nomes o tempo não me permite lembrar com precisão, a idade, a idade….) a matar a matar essa sede. Nossa cidade é uma comunidade que ama a arte. A arte é um veículo, um vetor para muitas possibilidades, inclusive o viés econômico. Nós, agora, precisamos descobrir a economia que a arte movimenta e investir nela sem a sensação de que estamos jogando dinheiro fora.
É pouco, claro, porque a ambição do Instituto Macuco-Jequitibá é imensa. Estamos pensando em como fazer uma intervenção para salvar nosso rio da inanição absoluta.
É urgente que Buerarema ganhe um plano estratégico de saneamento para que os esgotos saiam de dentro do histórico rio Macuco.
A população precisa tomar consciência do crime que ela comete cada vez que aciona a descarga do sanitário.
E a reprodução das orquídeas para que o patrimônio natural não seja depredado? Vamos contar com a expertise de Sidney Marçal que já colocou seu conhecimento à disposição. E temos em mentes as trilhas ecológicas, e ainda a utilização da BR-251 (Buerarema-Pontal) como um corredor ecológico, um lugar para passeios, para turismo, um lugar para o Bueraremense se orgulhar de ter e poder mostrar a qualquer visitante.
E nas áreas de cidadania? Sim, nossa escolinha de futebol ainda é sonho, nossas oficinas para implementar ações que favoreçam ao pequeno empreendedor com fábricas de doces, artesanato. Vamos provocar, trazer cursos, oficinas, vamos cobrar da população muito mais até do que dos políticos. É chegada a hora da sociedade tomar a responsabilidade para si e nunca mais transferir a responsabilidade para o outro. Sim, nós podemos!
Gideon Rosa